Mudanças no Internet Explorer afetam sites com conteúdo multimídia
Briga judicial de patentes entre Eolas e Microsoft altera forma de exibição e controle de conteúdo ActiveX, Flash e Java provocando confusão entre usuários e desenvolvedores
17.04.2006 por André Cripa Rodrigues
Em razão da suposta quebra de patentes da Eolas pela Microsoft a gigante foi obrigada a realizar modificações na forma que seu navegador trata conteúdo multimídia. Sites que utilizam controles para inclusão de arquivos Flash, por exemplo, sofreram mudanças em sua forma de exibição que estão provocando algumas dores de cabeças tanto em desenvolvedores como em usuários.
A mudança que já vinha sendo prometida pela Microsoft desde o ano passado, foi implementada no último patch de abril. No Brasil, os usuários que deixaram habilitadas as atualizações automáticas do Windows receberam o patch no início desta semana. Porém, após reclamações de desenvolvedores do mundo todo, a Microsoft deu um prazo de 60 dias com um novo patch opcional que desativa até junho de 2006 as mudanças nos controladores ActiveX, Flash e Java.
As tecnologias afetadas pelo patch são Adobe Reader e Flash, Apple Quicktime Player, Windows Media Player, RealPlayer e Java Virtual Machine.
Em geral, o comportamento da maioria dos sites com estas tecnologias é de exibir uma mensagem do tipo "Clique para ativar e usar este controle", que não permite a integração entre o conteúdo externo se o usuário não clicar com o mouse, pressionar a barra de espaço ou a tecla Enter em cima do aplicativo. Só após uma destas ações é que a interatividade entre o aplicativo e o usuário é liberada.
Eolas X Microsoft Em 1999 a Eolas Technology acusou a Microsoft de quebrar a patente de número 5 838 906 que permite que usuários acessem outros programas através de páginas Web. O criador da tecnologia Michael Doyle patenteou a tecnologia na Universidade da Califórnia em 1994.
Em 2003, uma corte Illinois deu ganho de causa à Eolas no valor de 521 milhões de dólares pelos danos a violação da patente. Embora a Microsoft ainda recorra a corte forçou a companhia a fazer mudanças ou ser punida pela corte.
Curiosamente após a decisão o W3C, órgão que regulamenta e estabelece diretrizes para a Internet, entrou com um pedido junto ao Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos Estados Unidos para invalidar a patente da Eolas alegando que esta patente pode causar "danos econômicos e técnicos substanciais" à Internet no mundo.
Prevendo o apocalipse, o inventor da Internet e então presidente do W3C, Tim Berners-Lee, disse em sua carta que "O impacto disto será sentido não apenas por aqueles acusados de infringir a patente, mas por todas as pessoas cujas páginas web e aplicações se baseiam nos browsers por ela ameaçados. Segundo o W3C as alterações que deverão ser feitas afetarão as funcionalidades da web, romperão padrões estabelecidos na internet e promoverão o efeito de incompatibilidade em cascata em todos os sites existentes.
Em curto prazo os efeitos causados estão bem longe disso, já que em geral o desconforto é sanado por um clique. No entanto ainda não há previsões para o day after quando a mudança atingir outras proporções.
Os principais afetados são sites de publicidade on-line e de streaming de áudio e vídeo que manipulam o conteúdo rico em praticamente todas as páginas.
Correções A Microsoft, Adobe e Apple já publicaram artigos técnicos voltados à desenvolvedores para que possam aplicar as correções e normalizar o front - end de suas aplicações. Porém os menos desavisados e informados, foram pegos de surpresa por estas mudanças e terão que correr contra o tempo para não aborrecer, ainda mais, o departamento de marketing de seus clientes.
André Cripa Rodrigues é diretor de tecnologia da Interaktiv.
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